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O Turismo

Ensaio sobre o Turismo, para a cadeira de Antropologia do Turismo, leccionada pelo Prof. Pedro Prista

Em termos gerais, é possível definir Turismo como uma actividade temporária de recreio, em que um indivíduo tem a intenção e acção voluntária de visitar um sítio longe de casa com o propósito de experienciar mudança. Desta forma, o Turismo pode ser visto como uma forma de estruturar as actividades lúdicas no ciclo de vida pessoal para proporcionar períodos alternados de trabalho e lazer.

Pode-se dizer que o Turismo surge no séc. XVIII quando de generaliza a moda do tour como prática pós universitária, em que os filhos da burguesia inglesa partiam em viagens culturais para visitar as paisagens, os lugares e as ruínas, por forma a experienciarem em concreto os sítios que tinham estudado. Os lugares a visitar por excelência eram a Grécia e o Sul de Itália. O tour era um culminar de vários anos de estudo ao qual se acrescentava a experiência de viver os sítios.

Consoante as possibilidades económicas fazia-se o Grand Tour ou o Petit Tour. O primeiro consistia numa viagem pela Inglaterra, França, Grécia até ao Sul de Itália, enquanto que o primeiro se restringia a França. Nestes passeios, os jovens eram acompanhados por tutores que os ciceroneavam pelos vários locais. Muitas vezes traziam consigo desenhadores que retratavam os sítios por onde passavam, para mostrar à familia e guardar como recordação. Surge assim uma nova indústria de objectos de recordação em que artistas retratavam a sua pátria em gravuras, desenhos, cópias das ruínas e mais tarde em fotografia para vender aos turistas. Paralelamente a esta indústria, as cartas (muitas delas de amor) constituiam o espólio turístico da época.

O Turismo desenvolveu-se desde a II Guerra Mundial alcançando indústrias já estabelecidas e a sua prática social ganhou importância na criação de estatuto, tornando-se igualmente objecto de estudo para as ciências sociais e ganhando destaque como elemento de grande importância na compreensão e estruturação do território. Como exemplos da crescente importância do turismo a nível social temos as indústrias ribeirinhas da pesca que se vão adaptando às novas situações, em que os pescadores se transformam em banhistas-cicerones. A nível da estruturação do território, a implantação de aeroportos nas ilhas do pacífico, alteram bastante as relações existentes entre os sítios, passa a existir um novo centro, um novo mercado no sentido em que é o local onde chegam as novas mercadorias, um local de oportunidade de receber estranhos dispostos a contribuir para o desenvolvimento local em troca de apenas disfrutarem cómodamente do ambiente que lhes é desconhecido, entre outras coisas. O Turismo afirma-se assim como um meio poderoso de afectar culturas e modificá-las e é nestas relações de diferença, proximidade e estranheza entre o visitante e o hóspede que se centram os estudos antropológicos.

Com o Modernismo e a industrialização, surgem as Feiras Internacionais, com o propósito de dar a conhecer os novos produtos e as novas invenções de cada país. A indústria do Turismo continua em expansão e são criadas agências de viagens que procuram fazer a ligação entre o local de partida e o destino, da forma mais cómoda. Inicia-se um processo de formatação de viagens em pacote, organizados numa rede de ciceronia internacional.

Não existem dúvidas de que o Turismo é um potenciador de desenvolvimento económico e cria um fabuloso mercado externo e na maioria das vezes é uma alavanca para a melhoria de qualidade de vida. Acontece também, por vezes, ser um obstáculo ao desenvolvimento.

O caso da criação do Resort Turístico em Tróia, por exemplo, mostra-nos o impacto negativo que o Turismo pode ter, caso não não seja feita uma correcta avaliação das condicionantes e requisitos indispensáveis à sua concretização. Neste caso particular, não terá sido considerada a criação de emprego como motor de desenvolvimento. Pela consequente falta de mão-de-obra, devido à falta de infra-estruturas e distância entre as habitações dos trabalhadores e o local de trabalho.

Para fazer frente à falta de mão-de-obra, foram construídos dormitórios para albergar os trabalhadores, criando um ghetto dentro do empreendimento turístico, que por ser inaceitável foi camuflado. Tróia, um empreendimento turístico construído de raíz, passou a ser palco de exclusão social.

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